Agricultor e PMs são denunciados por envolvimento em execuções no interior de MT

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ofereceu denúncia contra os policiais militares Evandro dos Santos, João Paulo Marçal de Assunção e Roberto Carlos Cesaro por envolvimento na morte e desaparecimento de seis pessoas. O caso ocorreu no município de União do Sul (646 km de Cuiabá-MT). Segundo o órgão, as vítimas estariam planejando um roubo contra a fazenda do agricultor Agenor Vicente Pelissa. O produtor rural teria descoberto o plano e contratado os militares para executar o bando.  

Os militares responderão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver (ambos por seis vezes), tentativa de homicídio qualificado (por quatro vezes), cárcere privado e associação criminosa. Já o agricultor foi denunciado por fraude processual. Assinaram a denúncia os promotores de Justiça Eduardo Antônio Ferreira Zaque, Andreia Monte A. Bezerra de Menezes, Fabison Miranda Cardoso e Luiz Fernando Rossi Pipino.

O MPMT também requereu que os acusados sejam condenados ao pagamento de indenização por dano material e moral sofrido pelas vítimas – que não seja firmado acordo de não persecução penal com o acusado Agenor Pelissa (uma vez que ele já obteve o benefício no ano de 2019); que sejam impostas medidas cautelares pessoais aos acusados para coibir que os mesmos voltem a praticar crimes e que o trio seja condenado à perda do cargo público.     

Conforme o órgão, as vítimas Francisco Barbosa Miranda, Nicolas Jordani Rodrigues, Weberson Correa da Silva, Francisco Wanderson de Lima, Francisco Diego Costa Lima, Eriel Machado Pires, Willian Douglas Mendes e Bruno da Silva Oliveira, junto à testemunha Francisco de Assis Fernandes dos Reis Filho, se associaram para assaltar soja que estava armazenada nos silos da Fazenda Promissão, que pertence ao produtor.   

Segundo a denúncia, o acusado Francisco Miranda trabalhava na fazenda e possuía conhecimento para realizar o carregamento dos grãos nos caminhões, enquanto a testemunha Francisco Filho exercia a função de vigia e seria o responsável para informar a rotina na propriedade. Este último teria desistido e informado o patrão a respeito do crime planejado.http://bit.ly/2RToJrZ

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Assim, Agenor Pelissa teria contratado o policial militar Evandro dos Santos, comandante do núcleo da Polícia Militar de Santa Carmem na época, para executar os crimes na Fazenda Promissão, que se associou aos outros dois policiais, João Paulo de Assunção e Roberto Carlos Cesaro. “Tudo meticulosamente planejado, os denunciados partiram para a ação”, asseverou o MPMT.

Na data planejada do assalto, 18 de abril, os acusados foram até a propriedade rural fortemente armados e renderam os funcionários Carlos Alberto da Silva Carvalho e Francisco Miranda.

O primeiro foi obrigado a conduzir os acusados com um saco na cabeça até o escritório da fazenda, onde os denunciados retiraram os equipamentos que armazenavam as gravações das câmeras de segurança, com o objetivo de não serem identificados. Em seguida, ele foi amarrado e trancado em um quarto, sendo liberado somente no dia seguinte pelo patrão.    

Já a segunda vítima “foi levada para outro local da fazenda, sendo executada sem que pudesse esboçar qualquer reação”.

Após o crime, os acusados localizaram um veículo a aproximadamente 5 km da propriedade, que pertencia ao bando que planejou o assalto. Eles então renderam e executaram as vítimas Paulo Gustavo Lopes e Arcelino de Oliveira.

Depois, permaneceram no local aguardando a chegada das demais vítimas. Nicolas Rodrigues, Weberson da Silva e Francisco de Lima foram os primeiros a chegar e atingidos por disparos de arma de fogo, de variados calibres, efetuados pelos militares mediante emboscada.   

Francisco Lima, Eriel Pires, Willian Douglas Mendes e Bruno Oliveira vinham logo atrás e, ao escutarem os barulhos dos disparos, fugiram. Após os crimes, os acusados esconderam os corpos das vítimas.

“A ocultação dos cadáveres fazia parte dos planos dos denunciados, pois, por se tratar de local ermo, situado em zona rural de vasta extensão territorial, estavam seguros de que os cadáveres jamais seriam encontrados, apesar das inúmeras buscas realizadas no local por diversos agentes da Polícia Civil”, narra a denúncia.

Por fim, o proprietário da área solicitou que a Polícia Militar de União do Sul limpasse a cena do crime, “de modo a induzir em erro o juiz e perito em futuro processo penal”.  

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